Eficiência energética é uma das soluções para evitar as mudanças climáticas

Publicado em 30/Set/2019 às 14h38 Atualizado em 30/Set/2019 às 14h54

Globalmente, o setor de energia é o que mais emite gases de efeito estufa. Os gases de efeito estufa causam as mudanças climáticas, caracterizadas por extremos de calor e de frio, e que provocam, entre outras consequências, efeitos nocivos para a saúde dos seres humanos. Com o aumento da temperatura global, a demanda por aparelhos de ar condicionado cresce, aumentando as emissões de gases de efeito estufa – emissões diretas, causadas por vazamentos de gases dos aparelhos, e indiretas, pelo consumo de eletricidade gerada a partir de fontes de energia poluidoras. Para romper esse ciclo vicioso, uma das soluções pode estar na melhoria da eficiência energética dos condicionadores de ar.


Esse foi um dos principais pontos apresentados na fala do diretor do International Energy Initiative – IEI Brasil Gilberto de Martino Jannuzzi no Fórum Permanente: Clima & Saúde da Unicamp. Jannuzzi descreveu alguns dos resultados do Projeto Kigali, em estudo desenvolvido pelo IEI Brasil, com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e em parceria com o Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL), o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE) e a consultoria Mitsidi Projetos. O Projeto Kigali é baseado na Emenda de Kigali do Protocolo de Montreal – assinado por diversos países, entre eles o Brasil – que prevê a substituição dos gases com alto potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês) dos ares-condicionados e a implementação de novos padrões de eficiência energética para esses equipamentos.

Prof. Dr. Gilberto Jannuzzi no Fórum Permanente: Clima & Saúde, ao lado do Prof.Dr. Plinio Morita e da Profa. Dra. Agma J. M. Traina

Prof. Dr. Gilberto Jannuzzi no Fórum Permanente: Clima & Saúde, ao lado do Prof. Dr. Plinio Morita e da Profa. Dra. Agma J. M. Traina


O estudo, realizado dentro do Projeto Kigali, calculou os benefícios de cinco cenários de eficiência energética projetados a partir da adoção de diferentes valores de Padrão Mínimo de Eficiência Energética (PMEE) para os condicionadores de ar do tipo split system no Brasil. Ao todo foram propostos cinco cenários, que foram comparados com a atual situação dos sistemas de condicionamento de ar brasileiros. Esses valores para os padrões são projeções para os próximos anos e os potenciais benefícios (ou problemas) que eles podem acarretar do ponto de vista dos consumidores, dos fabricantes e de uma perspectiva nacional. No cenário que adota a melhor tecnologia disponível no mercado seriam economizados 16 TWh de eletricidade anualmente até o ano de 2035 e seriam reduzidas 60 milhões de toneladas (Mt) de CO2 em emissões de 2021 a 2035.


“É preciso pensar em como estamos interferindo no clima e como o clima interfere no bem-estar da população”, afirma Jannuzzi. Para isso, devem ser enfrentados os desafios da transição energética. “Temos todas as tecnologias das quais precisamos para chegar em um futuro com carbono zero. Os desafios começam depois com a necessidade de alterar a infraestrutura física de nossas cidades, os sistemas de transporte, refazer o que foi construído com outro tipo de tecnologia”, explica o diretor do IEI Brasil.

Diretor do IEI Brasil Gilberto De Martino Jannuzzi fala sobre eficiência energética e mudanças climáticas

Baixe aqui o PPT da apresentação do diretor do IEI Brasil.

Faça o download do estudo do Projeto Kigali: Estudo de Impacto Regulatório: Diretrizes Gerais e Estudo de Caso para Condicionadores de Ar Tipo Split System no Brasil